Introdução e contexto

 

A dinâmica de qualquer ecossistema, tanto marinho quanto terrestre procura sua continuidade no tempo mantendo altos níveis de produtividade em termos biológicos, e fundamentando todo no máximo aproveitamento energético de qualquer nível de sua pirâmide trófica. O que é um resíduo gerado por alguns organismos constitui uma fonte de alimentação para outros e assim sucessivamente até fechar o círculo totalmente. Ante a abundância de recursos todos os setores industriais têm trabalhado nas últimas décadas indiferentes a esta regulação. Entretanto, nos últimos anos, o declínio dos recursos naturais mais o negativo impacto que os resíduos das empresas nos processos produtivos têm sobre o meio natural tem obrigado a revisar o modelo produtivo e económico tradicional por serem inviável a meio prazo. Desde muitos estamentos sociais, incluindo o empresarial, está a surgir uma nova filosofia baseada em um término relativamente recente mas já conhecido por todos: “economia circular e sustentável”. Definitivamente e de forma simples trata-se de conseguir uma economia que funcione baixo os mesmos parâmetros que qualquer ecossistema.

A indústria extrativa e transformadora de produtos das pescas, de amplo e histórico enraizamento em Galiza e Portugal não é alheia a esta problemática e na sua atividade gera uma grande gama de subprodutos procedentes de espécies muito diversas e com tonelagens muito apreciáveis. Estes produtos denominados erroneamente subprodutos contêm uma grande quantidade de biomoléculas e biopolímeros de grande potencial e aplicabilidade nos setores de farmacologia, nutracéutica e medicina.

Assim os organismos marinhos representam um enorme reservatório de moléculas e possibilidades praticamente inesgotáveis e ainda por descobrir. A este respeito, se tem que precisar que o conceito de Valorização e cada vez mais amplo na medida em que os meios para obter proveito dos organismos marinhos vão incrementando-se. Uma definição adaptada ao momento atual poderia ser: “Aproveitar os subprodutos infra utilizados gerados na atividade das pescas obtendo com eles produtos de alto valor acrescentado e organismos marinhos que baixo determinadas condições aumentam suas capacidades no meio natural bem como são uma fonte de moléculas e compostos de grande utilidade em certos setores industriais”.

O projeto CVMar+i, coordenado pelo Prof. Rui L. Reis do Grupo de Investigação 3B’s da Universidade do Minho, está enquadrado no Programa Europeu Interreg de Cooperação Transfronteiriça Galiza-Portugal 2014-2010. Começou em Junho 2017 e finalizará em Dezembro 2019 e tem atribuído um pressuposto de 3.2 milhões de euros.

CVMar+i é uma iniciativa que centraliza seu objetivo na valorização dos recursos marinhos e subprodutos das pescas através de distintas vias (nomeadamente a médica). Além disso e o último de uma série de projetos europeus Interreg Transfronteiriços e Arco Atlântico dos que fora beneficiária uma parceria muito estável que tem trabalhado nesta temática conjuntamente desde 2006. Portanto não se trata de uma iniciativa ilhada mas ligada que tem como único propósito contribuir a o máximo aproveitamento dos recursos marinhos segundo o conceito de economia circular.